30 jul 19
Emyra Waiãpi é assassinado por garimpeiros
Emyra Waiãpi, uma liderança indígena do povo Waiãpi, foi assassinado no dia 22 de julho durante uma invasão da terra indígena por garimpeiros em busca de ouro, no oeste do Amapá. Aos 68 anos, Emyra foi violentamente esfaqueado e espancado na aldeia Mariry; seu corpo tinha marcas de violência física e estava sem um olho.
Cerca de 1300 waiãpis vivem nessa terra demarcada. Eles são o único grupo indígena do país com uma permissão oficial para fazer prospecção de ouro em baixa escala em seu território. Dois dias após o assassinato, cerca de 50 garimpeiros atacaram a aldeia Mariry, a primeira invasão desse tipo em décadas. Um documento interno da Funai, ao qual a imprensa teve acesso, mencionou ao menos 15 homens fortemente armados e disse que “podemos concluir que a presença dos invasores é real e a tensão na região é alta”. Após alguns dias, a Apina, o conselho de aldeias Waiãpis, publicou uma nota com mais detalhes sobre a invasão e o assassinato.
O presidente Jair Bolsonaro reagiu à notícia do assassinato questionando a veracidade da história e reafirmou suas intenções de abrir as terras indígenas para mineração e prospecção de ouro. “Usam o índio como massa de manobra, para demarcar cada vez mais terras, dizer que estão sendo maltratados. Esse caso agora aqui… Não tem nenhum indício forte que esse índio foi assassinado lá. Chegaram várias possibilidades, a PF (Polícia Federal) está lá, quem nós pudemos mandar já mandamos. Buscarei desvendar o caso e mostrar a verdade sobre isso aí”, disse. Ele também afirmou que ONGs internacionais são contra a mineração nesses território pois querem que os indígenas sejam mantidos “em um zoológico” e que a atuação dessas organizações ameaça a soberania do Brasil na Amazônia.
“[É uma] terra riquíssima. Se junta com a Raposa Serra do Sol, é um absurdo o que temos de minerais ali. Estou procurando o primeiro mundo para explorar essas áreas em parceria e agregando valor. Por isso, a minha aproximação com os Estados Unidos. E por isso que eu quero alguém que eu confie na embaixada brasileira nos EUA”, afirmou. À época, Bolsonaro queria nomear seu filho, o deputado federal Eduardo Bolsonaro, como embaixador em Washington para ter acesso “rápido e imediato” com o presidente estadunidense.
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