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Especialistas criticam postura negacionista do governo

Crédito: Christian Braga/Greenpeace

1 nov 20

Amazônia e Pantanal batem novos recordes de queimadas em outubro

Ao contrário do que afirma o governo, em alusão a uma suposta perseguição pública contra sua política ambiental, a situação das queimadas na Amazônia e no Pantanal não só não está controlada, como os biomas atingiram níveis históricos de focos de incêndio no mês de outubro.

Segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), apesar de uma pequena queda em relação a setembro, a Amazônia superou este mês o número de focos de queimada registrados em 2019 – de janeiro a outubro, foram 93.356, frente a 89.176 no ano anterior.

Já o Pantanal teve 2.856 focos de incêndio ao longo de outubro, recorde histórico para o mês desde que o INPE iniciou o monitoramento na região, em 1998. Segundo o Laboratório de Aplicações de Satélites Ambientais (LASA), 28% do bioma já foi consumido pelas queimadas.

Conforme alerta a ONG WWF-Brasil, grande parte das queimadas nas regiões é consequência direta do desmatamento, que também bateu recordes em 2020. Em matéria do Estado de S. Paulo, Mariana Napolitano, gerente de Ciências da ONG, explicou a relação entre as atividades criminosas: “Após derrubarem a mata, os infratores ateiam fogo para limpar o material orgânico acumulado. No final do mês, com a chegada das chuvas, o ritmo das queimadas parece estar reduzindo, mas não podemos depender apenas dos fatores climáticos. O que aconteceu na temporada da seca na Amazônia e Pantanal em 2020 não pode se repetir.”

Napolitano também mencionou a postura negacionista do governo frente aos dados que corroboram a gravidade da situação: “Com as taxas de desmatamento cada vez maiores nos últimos anos, os alertas dos pesquisadores foram ignorados pelo governo: desmatamento e fogo andam juntos”.

Na mesma semana da repercussão da noticia, a BBC Brasil divulgou que a Noruega, antes principal doadora do Fundo Amazônia, está financiando um sistema de satélites para monitorar florestas tropicais em 64 países, incluindo a Amazônia brasileira. Os dados serão públicos e poderão ser acessados sem custos, como forma de reunir esforços para o combate ao desmatamento, explica Sveinung Rotevatn, ministro do Clima e Meio Ambiente do país: “Há muitas partes do mundo onde imagens de alta resolução simplesmente não estão disponíveis, ou onde estão disponíveis — as ONGs, comunidades e universidades nesses países não podem pagá-las porque são muito caras”.

Fontes
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