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Indígenas afirmam que ficaram detidos por três dias em propriedade rural

Crédito: Marcelo Camargo/Agência Brasil

30 nov 20

Ministério de Damares pressiona indígenas a ceder terra para fazendeiros no Pará

O Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos (MMFDH), chefiado por Damares Alves, é acusado por um grupo de indígenas Parakanã de mediar e participar de um encontro com fazendeiros com o intuito de pressionar caciques a aceitar uma proposta que inclui a redução da Terra Indígena Apyterewa, situada entre os municípios paraenses de São Félix do Xingu e Altamira, onde vivem. Em uma carta-denúncia, a qual o jornal O Globo teve acesso, lideranças relataram que os caciques foram surpreendidos por uma reunião – a princípio, sob a justificativa de que iria se falar sobre a invasão de grileiros em terras indígenas – com representantes do ministério de Damares e fazendeiros em uma propriedade rural irregular localizada dentro da terra indígena. Em depoimento ao Ministério Público Federal, um indígena presente no encontro relatou que os indígenas ficaram detidos por três dias na propriedade, sem contato externo, sendo ameaçados pelos proprietários rurais a concordar com suas solicitações para redefinir a demarcação da TI.

A carta pontua a participação ativa do governo federal na ameaça sofrida, além de avaliar como inconstitucional a proposta de redução do território. “Mais uma artimanha do Governo Federal, aliado com os invasores e com a Prefeitura de São Félix, para causar divisão interna e confundir as lideranças do povo Parakanã, com a eterna promessa de que a redução do território resolverá os conflitos e trará paz ao povo Parakanã”, diz o texto.

Em nota enviada ao jornal, o MMFDH afirma não ter havido “qualquer tratativa de conciliação sobre a demarcação da Terra Indígena Apyterewa”.

Fontes
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