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Estiagem é causada por destruição sistemática da Amazônia, aponta especialista

Crédito: Lucas Landau/Greenpeace

4 jan 21

Desmatamento da Amazônia esvazia reservatório de água de SP

Desde outubro de 2020, o Sistema Cantareira, um dos maiores reservatórios de água do país e principal responsável pelo abastecimento da região metropolitana do estado de São Paulo, está com um índice de armazenamento em 35,6%, o menor volume já registrado desde dezembro de 2013, período que antecedeu um dos pontos altos da crônica crise hídrica brasileira. Segundo cientistas, a falta de chuvas ao longo do ano, apontada como principal causa do baixo índice, está diretamente ligada ao desmatamento da Amazônia.


Essa relação de causa e efeito já havia sido explicada pelo Inpe no relatório “O futuro climático da Amazônia” (2014). O estudo demonstra que a retirada da vegetação pode causar o declínio dos ventos carregados de umidade que vem do oceano para o continente. O geólogo Pedro Côrtes explicou o fenômeno. “Você tira árvores de raízes longas e troca por capim, de raízes curtas, que não tem a capacidade de drenagem para atingir os aquíferos profundos da região [amazônica]”. O resultado é a redução da umidade da atmosfera, enquanto os ventos continuam soprando [para o sul], mas cada vez mais secos”.

Côrtes também pontuou que outros reservatórios importantes no país enfrentam o mesmo problema, além de frisar que se trata de uma questão histórica. “Esse modelo de desmatamento na Amazônia está completando 50 anos, começou na década de 70, com a [rodovia] Transamazônica, e já não há mais justificativa para sua manutenção. Há trabalhos científicos do final dos anos 1980 que já alertavam que poderia gerar impactos ambientais, inclusive com redução do volume de chuvas. Hoje, estamos colhendo as consequências”.

Fontes
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