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Animais sofrem com falta de alimentação adequada

Crédito: Divulgação/Ibama

Sob responsabilidade do Ibama, cerca de 600 animais silvestres morrem em centro de tratamento no RJ

Sob tutela do Ibama, cerca de 600 animais morreram por falta de cuidados nos últimos quatros meses no Centro de Tratamento de Animais Silvestres do Rio de Janeiro (CETAS-RJ), instalado na Floresta Nacional (FLONA) Mário Xavier, em Seropédica, na Baixada Fluminense. O abrigo – considerado um dos maiores do país, com mais de 1200 bichos – recebe aves, répteis e mamiferos regastados do comércio ilegal para reabilitação.

Atualmente, o CETAS-RJ possui apenas quatro funcionários. Em novembro, o contrato com a terceirizada RCA, que cuidava do espaço, foi suspenso, após a empresa avisar com antecedência, em julho, que não teria interesse em prorrogar o convênio, informou o G1. Em janeiro, um novo contrato, feito de emergência, também foi rompido. A responsabilidade pela contratação da equipe de tratadores é do superintendente do Ibama no Rio, o contra-almirante da reserva da Marinha Alexandre Dias da Cruz, no cargo desde março de 2019.

Após a denúncia, o Ibama anunciou que contará com 11 novos tratadores de animais a partir de 2 de março, além de abrir cinco processos internos para averiguar a mortes dos animais, porém, em nota, afirmou que “o contrato de alimentação e segurança do local segue em pleno funcionamento”, segundo matéria d’O Estado de São Paulo. A Polícia Federal já iniciou uma investigação sobre o caso, considerado crime ambiental.

A situação de abandono do CETAS-RJ é uma tragédia anunciada e mais um episódio do desmonte dos órgãos federais de defesa ambiental promovido pelo ministro Ricardo Salles, marcado pela demissão de técnicos qualificados e o aparelhamento militar de cargos-chaves. Em julho de 2019, meses após assumir a superintendência do Ibama no Rio, Dias da Cruz ordenou a substituição, sem justificativa, de quatro dos dez tratadores terceirizados que atuavam no local, apurou na época a repórter Bela Megale para sua coluna n’O Globo. A decisão mobilizou a Associação dos Servidores do Ibama do Rio a enviar uma carta à administração. “Considerando os anos investidos no treinamento para preparar um tratador de animais silvestres, e que não se encontra facilmente este tipo de profissional disponível no mercado, é certo que uma substituição na equipe causará transtornos enormes à rotina do trabalho desempenhado pelo CETAS/RJ. Estes transtornos serão traduzidos no aumento do número de mortes dos animais recebidos, o que consideramos inaceitável”, dizia o documento ao qual o jornal teve acesso.

Fontes
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