26 ago 21
Bolsonaro mente e diz que rejeição do marco temporal pode acabar com o agronegócio no Brasil
O presidente Jair Bolsonaro aproveitou o julgamento do caso no Supremo Tribunal Federal (STF) que pode validar a “tese” ruralista do marco temporal, que barra a demarcação de terras indígenas, para espalhar pânico e desinformação.
Em entrevista à Rádio Jornal de Pernambuco, Bolsonaro afirmou que caso o STF decida a favor do direito originário dos indígenas à terra, derrubando a tese de que só teriam direito às áreas que ocupavam em 1988, o agronegócio não terá mais onde produzir e deixará de existir. “Simplesmente não teremos mais agricultura no Brasil. O Brasil estará fadado a viver não sei como, talvez importando alimentos. Agora, pagando com que dinheiro? Também não sei”, disse o presidente.
Porém, os dados mostram o contrário. Atualmente, áreas privadas somam 41% do território nacional, enquanto terras indígenas ocupam apenas 13,8%, conforme Sonia Guajajara e Eloy Terena, coordenadores da Articulação Nacional dos Povos Indígenas do Brasil, explicam em matéria do El País. Apontando para o papel central das demarcações para a conservação socioambiental, as lideranças afirmam que territórios privados degradados poderiam ser recuperados. “Cerca de 22% do território nacional é ocupado com pastagem —no entanto, metade disso com algum grau de degradação— e 8% com agricultura, conforme o projeto MapBiomas. Ou seja, parte das terras pode ser priorizada para recuperação, reduzindo ainda mais a demanda por novas ocupações”, esclarecem em artigo.
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